Na passada terça-feira houve reunião de Câmara. Mais uma. Longa quanto baste a fazer recordar outras, de tempos idos, mas interessante. Do ponto de vista político e da gestão da coisa pública.
Assim sendo, torna-se importante dizer que se desenha uma solução global para o saneamento básico. Não só para Arouca como para a generalidade dos municípios portugueses, preenchendo-se assim uma grave lacuna no processo de desenvolvimento do país. Na apresentação deste projecto intermunicipal estiveram presentes responsáveis da empresa Águas Douro e Paiva e Águas de Portugal. Até daqui a um ano ficará decidido se o município adere ou não a este sistema. Que terá grandes vantagens e alguns inconvenientes (o custo será significativo).
Também se ficou a conhecer, através de uma bem conseguida apresentação virtual, o novo projecto do Auditório Municipal e a zona envolvente. Opção polémica visto estar em causa um edifício de enorme envergadura para o espaço (hoje transformado em parque de estacionamento) entre o supermercado Cavadinha e o ainda «Mercado Municipal».
Turismo e mais turismo. Receita para quase tudo. Resposta que tem andado na ponta da língua, dos responsáveis políticos (leia-se, socialistas) para os grandes problemas de Arouca.
Conceptualiza-se e reconceptualiza-se. Turismo «p’rá qui», turismo «p’rá acolá». Desde a praia fluvial ao cimo do monte.
Baralha-se e volta a baralhar-se.
Depois das caminhadas, do rio Paiva e dos desportos radicais, das parideiras, de falácias e mais falácias, eis que nos é anunciado, para uma serra ardida e abandonada, mais um «passo importante» a caminho de lado nenhum; o encontro de montanhismo na Serra da Freita. Sim, essa emblemática serra destruída pelo fogo, pelas ventoinhas, pelo «patos bravos». Sim, essa da «rede natura», agora desnaturada! Sim, essa ex-líbris de Arouca!
Interroguemo-nos de que vale esse tão propalado potencial. Todo o potencial da terra, do património natural, do património construído se não é tornado em mais valia. Que não cria riqueza, sobretudo para os arouquenses…

Foto: Guilherme Carvalho
Depois da saga construtivista - do ponto de vista da acção política da oposição (então de esquerda) - à volta da rotunda dos calhaus e quando já lá vão cerca de quinze anos, eis que eles regressam em força. E para ficar, presume-se!
De facto, quem passar na nova Circular Urbana, num dos acessos à Zona Industrial de São Domingos e Mata, lá esta uma nova rotunda recheada de emblemáticos calhaus. De todos os tamanhos. Para todos os gostos.
E que dirão agora os críticos de então? Ficam agora deslumbrados?
Mudam-se tempos, mudam-se as vontades!
Quem tem estado atento às coisas da vida política nas terras de Santa Mafalda, terá que necessariamente se interrogar do porque da generalidade dos órgãos de comunicação social de Arouca nada ou muito pouco «ligarem» ao que se passa nas reuniões da Câmara e nas sessões da Assembleia Municipal!
De facto, o que existe e não existe nestes dois importantes órgãos autárquicas, passa ao lado. Salvo raras excepções nem uma pequena notícia, comentário, entrevista, análise…. Na vida política da terra o que tem interessado é especular e na altura das autárquicas dar espaço à política efémera e as uns fretes (q.b.).
Porque será?
Arouca conheceu nos últimos dias uma actividade intensa, não só do ponto de vista desportivo como cultural. E o que se encontra como pano de fundo? O associativismo! Pela organização, capacidade e dinâmica!
Se a associação «Futebol Clube de Arouca» nos deu a subida ao nacional, o Grupo Coral de Urro trouxe até Arouca centenas de cicloturistas, a Associação dos Amigos da Cultura e do Desporto de Ponte Telhe organizou a 5º Circuito Sr.ª da Mó (integrado no Campeonato Nacional de Corrida em Montanha), o Sport Rossas e Malta arrancou com 1º Torneio de Futebol de 7 e a «Anima Património» organizou uma iniciativa já emblemática: «Cister, Sabores e Saberes». Estes, entre outros exemplos.
Acreditar no movimento associativo - que faz melhor e bem mais barato (basta ter em conta o trabalho voluntário dos seus dirigentes e associados) - e apoia-lo é mais que um dever uma obrigação dos poderes políticos. Desde o Governo às autarquias. Sem reservas!
Ontem, dia 28 de Abril de 2007, na Assembleia Municipal de Arouca, ficou a saber-se, pela voz do Presidente da Câmara, que o Governo da Nação não tem dinheiro para concluir a via estruturante nem sequer para avançar com o projecto.
Largos meses depois de concluida a primeira fase este é o pior dos sinais. Triste sina a…nossa!
O clube de Arouca, o clube dos arouquenses, venceu. O «nosso» Arouca subiu de divisão. Parabéns a todos aqueles que, mobilizando recursos e vontades tornaram possível este desígnio.
Uma felicitação especial à sua Direcção na pessoa do Sr. Carlos Pinho.
Bem hajam por tornarem um sonho…realidade.
Nem a Primavera - que chegou triste e fria - traz aos portugueses razões para sorrir. É difícil perante o quadro sombrio que nos é dado pela incapacidade das gentes lusas de vencer as dificuldades e ultrapassar a crise.
As notícias são más. Muito más, apesar do défice ter diminuído e o Governo de Sócrates ter feito uma festa…e «Arouca», que não o concelho (mas sim o Luís da Universidade Independente), andar nas bocas do Mundo.
E por Arouca?
- As coisas vão piorando. O quadro é depressivo. Não só do ponto de vista económico como social e até político.
Ao longo dos últimos anos o número de arouquenses desempregados e com o Rendimento Social de Inserção não para de aumentar. Tal como são muitos aqueles que batem à porta da autarquia pedindo «pequenas» ajudas para tudo e mais alguma coisa (medicamentos, pequenos arranjos nas habitações, passe dos filhos, etc.). Arouca tarda em recuperar do fecho da Clarks. E já lá vão meia dúzia de anos. É caso para perguntar para onde vamos em termos de coesão social!
Os arouquenses (tal como os portugueses) voltam a emigrar. O pior sintoma de todos!
A Câmara socialista que deveria ser um dos principais agentes dinamizadores para a criação de condições para o progresso e desenvolvimento entretém-se a fazer, à semelhança do governo da nação, propaganda - através de todos os meios ao seu alcance. Onde se esperava determinação, coragem para inovar, capacidade empreendedora vê-se calculismo e o «continuar uma caminhada» que não leva a lado nenhum.
E por falar na Câmara… Ainda duas breves notas.
Tal como já foi denunciado pela oposição social-democrata, não só no anterior Executivo como no actual, alguém continua a alimentar um esquema ilegal de prestação de serviços às Juntas de Freguesia. Apesar de múltiplos aspectos que devem ser apreciados à luz da lei, há um, entre muitos, que sobressai do ponto de vista político: o poder discricionário para ceder o equipamento e máquinas às Juntas de Freguesia, conforme os credos e a cor política. Quase sempre são as mesmas as beneficiadas. Queixam-se muitos dos autarcas de freguesia.
E quando…entre almoços e jantares.
O assunto não é novo. É recorrente…e dai a fama e provavelmente o proveito…de alguns, naturalmente. Arouca recebe bem! Muito bem, só que, com o dinheiro do povo é um bocado aborrecido e naturalmente reprovável. De facto, não se percebe a incontrolável e desmedida generosidade da Câmara - na pessoa do seu Presidente é claro - em oferecer almoços e jantares a torto e a direito e à revelia do Executivo Municipal.
O tema teve já «honra» de tratamento em sede de reunião do Executivo Municipal. A propósito da concentração dos Porches…
As zonas rurais caminham para um estado de tal forma crítico que a sobrevivência pode estar mesmo em causa. Populações geralmente dispersas, afastadas dos grandes centros de decisão, enfraquecidas por perdas demográficas e pelos seus elementos mais activos e empreendedores, praticando uma agricultura tradicional cada vez mais desfasada das exigências dos dias de hoje (que vem deixando de ser a principal base de subsistência das populações locais), fracos investimentos, ausência de espírito crítico e empreendedor, baixo nível de instrução, resistência à mudança, enfim, são alguns dos factores locais que contribuem para a situação de crise que se vive nestas áreas.
O estado para que parece caminhar o mundo rural, confrontado a cada instante com profundos desequilíbrios, constitui para todos motivo de apreensão.
È assim o «desenvolvimento». Complexo e desumano em alguns aspectos.
Portugal é hoje um exemplo paradigmático, pois enquanto as áreas metropolitanas e dos grandes centros aumenta, enquanto crescem as torres de betão sobre os espaços verdes, enquanto se apinham em bichas infindáveis dos transportes urbanos, o campo, cada vez mais, vai ficando ao abandono.
A imagem territorial de Portugal é cada vez mais, a de um crescimento litoral e urbano que acentua o deserto da interioridade, que esvazia o campo dos meios necessários para um desenvolvimento auto-sustentado.
Desde alguns anos que as oliveiras e as vinhas vêm sendo substituídas por eucaliptos; as populações rurais continuam a deslocar-se para os grandes centros, ficando os mais idosos nas crescentes “aldeias-fantasma” do país.
São as “deseconomias do progresso”.
Terras e gentes vitimas das instituições dominantes. Instituições que reforçam as centralidades para o investimento, esquecendo que, ao investir e apoiar directamente o desenvolvimento das zonas rurais, se está indirectamente a auxiliar os grandes centros, em termos de impedir maior pressão demográfica e degradação da qualidade de vida. A tudo isto não é alheio um “paternalismo” e uma concepção de desenvolvimento excessivamente voltada para o aumento de riqueza e crescimento económico, adoptando modelos externos, e marginalizando, sobretudo, o espaço rural.
É também esse «mundo rural» que o Governo Socialista de Sócrates quer ainda sacrificar mais. E por isso não se entende o encerramento de escolas, de estações de CTT, centros de saúde e serviços de urgência. Um crime político contra os interesses de desenvolvimento equilibrado do território nacional.
O primeiro-ministro sabe que Portugal é o país da Europa com maiores problemas de desertificação, com uma desequilibradíssima ocupação desse mesmo território.
Assim, vários processos continuam o seu curso negativo.
O sinal de Sócrates aos jovens é de que as suas terras não têm futuro. E dai, de novo, a emigração. A Espanha e a Inglaterra são a «França» dos anos sessenta!

Qualquer município com uma actividade cultural regular e com iniciativas de qualidade, ainda que pontuais, anseia ter um Auditório condigno.
Desde há muito Arouca tem esse desejo.
Houve outras prioridades. Legítimas talvez! Mas, o que é facto, é que o nosso concelho não tem, a este nível uma infra-estrutura capaz, de receber um evento ou espectáculo de nível.
Só que….
A pretensão assumida pelo Executivo Socialista é desajustada às necessidades e desconforme com as mais elementares regras sobre as quais assenta uma obra daquela natureza. Os referenciais consultados permitem-nos chegar a essa conclusão.
O local do projecto (em frente ao “ainda” que resta do Mercado Municipal e ao lado do supermercado Cavadinha) é exíguo. Será que se vai cometer o mesmo erro cometido aquando da construção do cinema?
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