Quase Zero

12 de Janeiro de 2010

em Vários

i porto 13

Iporto é uma revista editada pela Junta Metropolitana do Porto, cujo Director é o Presidente da Câmara do Porto, Rui Rio. Tem uma tiragem de 150 000 exemplares e é distribuída em toda a região.
O grande objectivo desta revista é dar a conhecer a oferta cultural dos seus dezasseis concelhos em que se inclui naturalmente Arouca. Acaba de ser distribuída a edição 13 com a agenda cultural entra Janeiro e Março.
Chegou-me às mãos hoje e para surpresa minha as actividades em Arouca são quase zero. Atente-se;

  • Actividades em Museu – 0
  • Dança – 0
  • Exposições – 2
  • Espaço Educativo – 0
  • Ar livre – 1
  • Festivais – 0
  • Ietc – 0

Mau de mais para ser verdade. Até porque a realidade não é esta. Alguém, com responsabilidades políticas, anda distraído na Câmara Municipal de Arouca ou é incompetente (ou mesmo as duas coisas), não fazendo o «trabalho de casa» enviando atempadamente para a Junta de Metropolitana as iniciativas que se vão fazendo em Arouca. E é pena!

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Confirmando uma recorrente falta de consideração pelos órgãos autárquicos do município a maioria socialista, que governa a Câmara, vai apresentar no próximo dia 5 de Janeiro, às 17h30, no Salão Nobre dos Paços do Concelho ante-projecto da Regeneração Urbana do Centro Histórico de Arouca. Fá-lo antes de o dar a conhecer à Câmara Municipal e muito menos à Assembleia Municipal (em que se inclui, naturalmente, os Presidentes de Junta de Freguesia).
Aliás esta prática não é nova. O desrespeito pelos órgãos autárquicos é uma prática normal por parte dos socialistas. Em Arouca, hoje como sempre. A propaganda, o «show-off» é o que vale.
Tudo a bem do «interesse municipal». Seja ele qual for!

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A política ou, se se quiser, as políticas de juventude, sempre constituíram para mim pretexto para alguma reflexão, muito fruto das responsabilidades que advinham do facto de durante mais de duas décadas ter sido dirigente associativo.
Sempre foi para mim claro que a temática da juventude deve ter como interlocutores privilegiados com os jovens e, ou, estruturas aos quais estão associados. A esta ideia está subjacente o conceito de que eles são os sujeitos principais de todo o sistema social e do progresso, quer das sociedades actuais, como também das sociedades futuras. Não esqueço que as relações dos jovens são determinadas pelas transformações culturais e estas, são também, sua causa/efeito.
O poder político e em primeira instância o poder central sempre esteve, de algum modo, minimamente atento a tais princípios, tendo mesmo criado estruturas vocacionadas para dar resposta a alguns dos problemas equacionados nesse âmbito. A mais conhecida é sem dúvida o Instituto Português da Juventude. Nem sempre o conseguiu. Em determinadas áreas coube à sociedade civil e grandemente às autarquias complementar tal desiderato.
Pelo que conheço a generalidade dos municípios têm tido a preocupação de auscultar, de uma forma sistematizada e constante a dinâmica da(s) juventude(s), e consequentemente, idealizar projectos que vão de encontro à diversidade e heterogeneidade de gostos e apetências que caracterizam as diferentes vivências juvenis. Aliás uma prática em consonância com a Carta Europeia da Rarticipação dos Jovens na Vida Local e Regional aprovada pelo Congresso de Poderes Locais e Regionais da Europa, em 21 de Maio de 2003, e publicada no nosso país pela Federação Nacional de Associações Juvenis.
Estes projectos municipais não são apenas criados para os jovens, mas com os próprios, dando espaço para os mesmos emergirem, sugerirem e apelarem às suas aspirações relativamente ao desenvolvimento da sua terra, da sua comunidade. Neste sentido, os jovens têm vindo a tornar-se parceiros e interlocutores dos municípios, realizando iniciativas conjuntas com os autarcas (que mobilizam os recursos julgados necessários), implementando-se assim uma política de juventude assente na participação, cooperação e formação.
Municípios que contam também com a colaboração das associações juvenis e outros agentes que desenvolvem actividades com jovens, estabelecendo novas formas de envolvimento, promovendo a auto-promoção juvenil e inserção dos jovens na sociedade, fomentando o associativismo como escola de cidadania.
Com isso e por isso os agentes políticos incutem aos jovens responsabilidades que os encaminhem para a autonomia e o compromisso entre eles e a sociedade em geral, a partir das suas expectativas, soluções e interesses.
Ora, por Arouca e sobretudo ao longo dos últimos anos nada disso tem sido feito. Quer por falta de visão e estratégia política como por tacanhez e insensibilidade.
Atente-se.
Em Fevereiro de 2006 os Vereadores do PSD apresentavam, em sede de Executivo Municipal, a proposta de criação do Conselho Municipal de Juventude de Arouca, que funcionaria como um órgão consultivo do município e na sua essência visava criar condições para a real participação dos jovens no planeamento da actuação da Autarquia, assegurando também um espaço de debate crítico, global e independente sobre o desenvolvimento da Política Municipal de Juventude.
Tal desiderato foi reprovado pelos socialistas e pelos vereadores da UPA.
No entanto a Lei n.º 8/2009, de 18 de Fevereiro impunha ao município a criação desse Conselho Municipal. A muito custo, aqueles que em 2006 reprovaram a sua criação, viram-se 22 de Setembro de 2009, obrigados a aprova-lo. Depois do prazo previsto cumpriu-se a exigência. Falta a aprovação do regulamento na Assembleia Municipal. Tal poderia já ter acontecido na reunião extraordinária do passado dia 21 de Novembro. Estranhamente não o foi. Será que tal acontecerá na sessão ordinária de Dezembro? Esperamos que sim.
Mas este é o exemplo paradigmático, o exemplo acabado, de como a câmara socialista pouco ou nenhuma atenção dá à juventude. De facto não existe uma política transversal de apoio aos jovens e às suas organizações. Não existe, nunca existiu e pelo que se percebe não existirá no futuro.
Contrastando com o que se passa na quase totalidade dos concelhos do país, no organigrama da Câmara Municipal, volta a não haver Pelouro de Juventude. Sintomático do alheamento camarário com este grupo etário!
Em Arouca, os jovens e as suas estruturas representativas vão continuar a deparar-se, permanentemente, com um enorme problema: Quem é o interlocutor do executivo municipal? Pode variar do Presidente, ao assessor, aos Vereadores, aos funcionários municipais…Ou simplesmente pode não haver.
Com um Vereador responsável pela Juventude, esta dispersão desapareceria.
Esperamos – porque nunca é tarde – que a maioria socialista corrige este erro e desenhe uma estratégia global, para a Juventude de Arouca, que seja transversal e integrada. Um projecto capaz de envolver todas as partes interessadas no sector, indo ao encontro das expectativas, necessidades e anseios dos jovens, ao longo do seu ciclo de vida, criando com eles um verdadeiro compromisso.
Para a sua concretização é fundamental a noção do dinamismo das próprias políticas, enquanto construção de todos os actores e agentes sociais implicados, principalmente os jovens. Até porque hoje se torna imprescindível estar preparado para dar resposta a uma realidade heterogénea, à mudança constante, que produz novos problemas e desafios, exigindo respostas pró-activas e socialmente inovadoras.
Deseja-se uma política que partilhe responsabilidades (e dai a importância crucial do Conselho Municipal de Juventude), estabeleça parcerias e comprometimentos, em prol de uma actuação mais eficaz e integrada, construindo um arquétipo sustentado por um processo partilhado, que fomente a discussão pública e alargada, associando diferentes recursos e sinergias, mobilizando os agentes sociais com responsabilidades públicas e privadas, em especial, os jovens arouquenses.
Será pedir muito?

Publicado no jornal «Roda Viva», edição de Dezembro de 2009

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Uma visita ao site da Câmara Municipal de Arouca (http://www.cm-arouca.pt/) permite a consulta às actas do Executivo Municipal.
A  acta da reunião ordinária de 17 de Setembro de 2009 (a segunda do actual mandato) não deixa de surpreender e impressionar pelo  elevado número de itens sobre «revisão de preços»  e de algum modo pelos valores que envolve. Em baixo fica uma síntese. Mas não deixe de ler a respectiva acta e tirar as suas conclusões.

  • INFRA-ESTRUTURAS DA ZONA INDUSTRIAL DA MATA (AROUCA) . ACESSO POENTE . INFRA-ESTRUTURAS E PAVIMENTAÇÃO. Valor de €7.284,53.
  • DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL/INFRA-ESTRUTURAS E INTEGRAÇÃO PAISAGÍSTICA DA ZONA INDUSTRIAL DA FARRAPA, CHAVE . TRABALHOS COMPLEMENTARES . Valor de  €5.245,2.
  • DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL/ZONA INDUSTRIAL DA MATA, AROUCA . ARRANJO DE ESPAÇOS EXTERIORES E ENQUADRAMENTO PAISAGÍSTICO . Valor de  €11.591,97.
  • REDE VIÁRIA/GRANDES REPARAÇÕES/BENEFICIAÇÕES DE ESTRADAS E CAMINHOS . REPARAÇÕES EM ALVARENGA .  Valor de €389,88.
  • REDE VIÁRIA/BENEFICIAÇÃO DA E. M. DA IGREJA A FUSTE, MOLDES. Valor de €1.366,02.
  • REDE VIÁRIA/REPAVIMENTAÇÃO DAS RUAS DR. FIGUEIREDO SOBRINHO E DR. TEIXEIRA DE BRITO . Valor de €8.488,71.
  • REDE VIÁRIA/PAVIMENTAÇÃO DO C. M. BARALHA/VALE DA RAIZ . ALBERGARIA DA SERRA . Valor de €494,40.
  • REDE VIÁRIA/CIRCULAR AO CENTRO URBANO DE AROUCA (VARIANTE A VALDASNA, 2.ª FASE) .  Valor de €45.177,19.
  • REDE VIÁRIA/REQUALIFICAÇÃO DOS TROÇOS DESCLASSIFICADOS DA EN 326/EN 326-1 . TROÇO CMA/PERNOUZELA (KM 0,0 A KM 1,2 DA EN 326-1) .   Valor de €2.265,62
  • REDE VIÁRIA/CONSTRUÇÃO DA VIA DE LIGAÇÃO DO ROSSIO (EN 224-1) CAÇUS/VIA ESTRUTURANTE, 1.ª FASE .  Valor de €460,57
  • REDE VIÁRIA/BENEFICIAÇÃO DA E. M. URREIRA/PONTE DO ARDA (ESCARIZ/FERMEDO). Valor de  €3.390,38
  • REDE VIÁRIA/BENEFICIAÇÃO/RECTIFICAÇÃO DA VIA DE LIGAÇÃO DO  CALVÁRIO/BONJARDIM . REVISÃO DE PREÇOS:  Valor de €389,06
  • REDE VIÁRIA/PAVIMENTAÇÃO DA E. M. DE LIGAÇÃO A CHAVE, DA VILA À BOUÇA (MANSORES) .  Valor de €408,58

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Em Fevereiro de 2006 o PSD apresentava, em sede de Executivo Municipal, a proposta de criação do Conselho Municipal de Juventude de Arouca, que funcionaria como um órgão consultivo do município e na sua essência visava criar condições para a real participação dos jovens no planeamento da actuação da Autarquia, assegurando também um espaço de debate crítico, global e independente sobre o desenvolvimento da Política Municipal de Juventude.
Tal desiderato foi reprovado pelos socialistas e pelos vereadores da UPA.
No entanto a Lei n.º 8/2009, de 18 de Fevereiro impunha ao município a criação desse Conselho Municipal. A muito custo, aqueles que em 2006 reprovaram a sua criação, viram-se 22 de Setembro de 2009, obrigados a aprova-lo. Depois do prazo previsto cumpriu-se a exigência. Falta a aprovação do regulamento na Assembleia Municipal. Tal poderia já ter acontecido na reunião extraordinária do passado dia 21 de Novembro. Estranhamente não o foi. Será que tal acontecerá na sessão ordinária de Dezembro?DSC00656 Esperamos que sim.
Mas este é o exemplo paradigmático, o exemplo acabado, de como a câmara socialista pouco ou nenhuma atenção dá a juventude. De facto não existe uma política transversal de apoio aos jovens e às suas organizações. Não existe, nunca existiu e pelo que se percebe não existirá no futuro.
Contrastando com o que se passa na generalidade dos outros concelhos, no organigrama da Câmara Municipal, volta a não haver Pelouro de Juventude. Sintomático do alheamento camarário com este grupo etário. Até quando?

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Março Sony 114Nos últimos meses de Setembro e Outubro participei em mais uma campanha eleitoral. Tempo para conhecer ainda melhor gentes e lugares numa verdadeira terra de contrastes com sérios problemas em termos de coesão social. A matriz rural prevalece (para o bem e para o mal) onde sobressai uma população envelhecida. Os jovens, ou não existem, ou estão fora. Muitos, mesmo muitos, no estrangeiro. Entre olhares registei uma terra com fortes problemas ambientais e sociais com destaque para o despovoamento e a desorganização urbana, sobretudo nas encostas da serra.
Vi, mais uma vez, inúmeros constrangimentos estruturais e um certo empobrecimento económico. Os números do Rendimento Social de Inserção, o número de desempregados, assim o confirmam. O último estudo do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social da Universidade da Beira Interior (UBI) coloca o concelho de Arouca num dos piores lugares do país, quanto ao nível de vida dos seus habitantes -  269º entre 278 estudados.
Ao confrontar-me com a Arouca que (re)vi na campanha, ao confrontar-me com a realidade dos números, o testemunho das pessoas e os estudos que vão sendo publicados, surge em contraponto com a Arouca das festas promovidas pelo poder político na velha lógica da representação do «pão e circo», com um concelho conservador recheado de caciques ao serviço dos pequenos interesses sociais (recordo, por exemplo, como foi estrategicamente usado o programa PARES) e alguns económicos – a Câmara de Arouca é geradora de múltiplos contratos, aquisições de serviço, ajustes directos,… atribui subsídios e patrocínios! Todo um caldo de «cultura política» que é a base embrionária para o cultivo de um certo «status», muito importante num tempo em que o poder instalado precisa de mobilizar recursos e vontades visando a sua manutenção.
Tudo conjugado permite o assumir de mecanismos de «assistencialismo» onde sobressai e assenta uma estranha rede de interessados. Cabe-lhes reunir votos e traduzir influências. Se assim não fosse, em Arouca não haveria o fechar de olhos a tanta construção clandestina, não se abririam estradas sem razão nem sentido, não se construiriam obras (algumas das quais públicas) em zonas protegidas, não se privilegiariam juntas de freguesia consoante a sua cor política, não estariam, aos fins-de-semana, de forma discricionária, trabalhadores e máquinas da Câmara em obras da responsabilidade das juntas de freguesia – prática sem possibilidade de escrutínio da oposição, seja na Câmara ou na Assembleia Municipal.
Foi e é reconhecidamente difícil lutar contra tais enraizadas práticas. Ainda no contexto desta análise, recordo que no rescaldo das eleições de 2005 escrevi num dos jornais locais sobre o jogo do «pau de dois bicos» que por Arouca se vai fazendo aquando das campanhas eleitorais. Gente que apoia interesseiramente tudo e todos, gente politicamente híbrida, que ama um candidato, se apaixona por outro e que se for preciso «dorme com o inimigo». À memória ocorre-me também um episódio (entre muitos) de 2001, de um cidadão eleitor que apoiou entusiasticamente a minha candidatura à Câmara, tendo mesmo participado em acções de campanha, e simultaneamente escrevia uma carta de apoio ao então Presidente Dr. Armando Zola (também ele candidato). Um exemplo entre muitos. Hipocrisia a rodos numa Arouca que muito gosto, mas que perante posturas e comportamentos individuais me amargura.
Gostava de uma Arouca com massa crítica suficiente, que desenvolvesse as condições para a projecção de competências e valores, com uma imprensa bem menos servil, sem editorialistas com memória selectiva, com uma sociedade civil forte e uma opinião pública esclarecida. Condições básicas que em muito ajudariam a construir um contra-poder ao caciquismo local, à manipulação e ao populismo que tanto prejudicam Arouca.

Publicado in «RodaViva», edição de Novembro de 2009.

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Vista de AroucaUm estudo do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social da Universidade da Beira Interior (UBI) coloca o concelho de Arouca num dos piores lugares do pais quanto nível de vida dos seus habitantes. Lugar 269 entre 278 estudados.

Com este trabalho é possível identificar quais foram os concelhos do país que mais avançaram ou que mais posições subiram no ranking entre 2007 e 2009 e, por outro lado, identificar quais foram os municípios do país que mais recuaram ou que mais se atrasaram no ranking entre os mesmos anos e tentar inventariar possíveis causas ou factores justificativos dos valores então e agora encontrados.
A lista das variáveis consideradas no actual estudo teve em consideração as condições materiais, nomeadamente os dados disponíveis sobre Equipamentos de Comunicação, Equipamentos Educativos, Infra-Estruturas Básicas, Condições Sociais, Educação, População, Saúde, Segurança, Ambiente e Condições Económicas.

Este estudo pode ser consultado na página da universidade: http://www.dge.ubi.pt/

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Eleições a ética e a política

1 de Outubro de 2009

em Vários

Feira das Colheitas 006Sobre um intenso quadro eleitoral não deixe de ser interessante reflectir sobre a ética política. Os acidentes e os incidentes da política arouquense reforçam a importância dessa reflexão que partilho com os leitores.
Para mim a acção política, seja feita por um Presidente da Junta de Freguesia ou pelo Presidente da República, é um dos actos mais nobres. Quem a exerce só o pode fazer com responsabilidades compatíveis com grandes qualidades morais e de competência. A actividade política só se justifica se o político tiver espírito republicano, ou seja, se suas acções, além de procurem a conquista do poder, forem dirigidas para o bem público, que não é fácil definir, mas que é preciso sempre procurar.
Já vi de perto políticos – em Arouca sobretudo – a legitimar as suas opções, as suas escolhas, com base no «interesse público» e ou, com base nos «superiores interesses de Arouca». Foi assim com algumas das obras que hoje «mancham» o nosso território!
Acredito que a concepção do bem público varia de acordo com a ideologia ou os valores de cada um, mas o que se espera é que procure tal concepção com prudência e coragem. Com ética e sentido de responsabilidade.
A ética da política, porém, não é a mesma ética da vida pessoal. É claro que existem princípios gerais, mas entre a ética pessoal e a ética política há uma diferença básica: na vida pessoal deve-se esperar que cada indivíduo haja de acordo com o que Max Weber chamou a ética da convicção, ou seja, a ética dos princípios morais aceites em cada sociedade. Já na política prevalece a ética da responsabilidade. Uma ética de responsabilidade leva em consideração as consequências das decisões que o político adopta. Em muitas ocasiões, o político é obrigado a tomar decisões que envolvem meios não muito nobres para alcançar os objectivos públicos.
Nem sempre o clássico princípio de Maquiavel de que os fins justificam os meios poderá servir. Nessa contradição entre os fins públicos e os meios existe um problema de grau. É claro que o político deve ser fiel à sua visão do bem público, mas não pode ser radical tanto em relação aos fins nem aos meios. Não pode acreditar que detém o monopólio da definição desse bem: o político democrático tem a sua visão do interesse comum, mas respeita a dos outros. Por outro lado, ainda que o uso de meios discutíveis possa ser justificado em certas circunstâncias, é evidente que não podem ser quaisquer os meios utilizados. É preciso aqui também ser razoável: alguns meios são absolutamente condenáveis e portanto injustificáveis.
As acções que surgem em ano eleitoral são disso exemplo.
Recordo em Arouca as benesses que vão da simples estrada particular «até à porta», os passeios para a terceira idade (replicados por Câmara e Juntas de Freguesia), a descriminação positiva sobre os autarcas do «eixo do bem» (leia-se socialistas), a retaliação a quem critica, a quem põe em causa, as festas de arromba, os apoios financeiros (ou em géneros), as máquinas e funcionários da Câmara para as Juntas que são «colaborantes»… Tudo serve!
O período pré-eleitoral em Arouca deu-nos a conhecer práticas exemplificativas de tais posturas. A manutenção do poder pelo poder é alucinatória. Se não o fosse não se verificaria a política da «terra queimada», o aliciamento de candidatos, o jogar com «um pau de dois bicos», não se zangariam as comadres, não se descobriam as verdades nem haveria um Vice-presidente da Câmara a demitir-se, a acusar o Presidente de deslealdade e a a ameaçar «andar por ai»!

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DSCF0315As opções da Câmara e os condicionalismos futuros. Por opção política ou por necessidade induzida (sobretudo por parte do governo central), a Câmara Municipal de Arouca avançou para um conjunto de obras julgadas «importantes», mas que condicionarão grandemente os futuros Executivos. Penso essencialmente em duas áreas; a reestruturação/construção dos centros escolares e os novos equipamentos sociais. Considerada como «obra estruturante» para o município a reestruturação do Parque Escolar assumiu um carácter de extrema premência. Não só porque durante os três mandatos anteriores do Partido Socialista pouco ou nada foi feito (o primeiro ciclo foi mesmo o parente pobre de todo o sistema educativo), mas também como consequência da opção errada, falhada e insustentável; instalar alguns dos alunos em contentores. No entanto a Câmara de Arouca, ao tomar esta preferência, assumida sobretudo pelo actual Presidente da Câmara como «um desígnio municipal», e se pretender continuar a corresponder ao que está pensado na Carta Educativa, estará grandemente condicionada a acção futura dos Executivos para as diferentes áreas de acção política. Inclusive a capacidade de endividamento e consequentemente a sua estabilidade financeira. A título de exemplo só dois dos primeiros centros escolares (Fermêdo e Escariz) representam um investimento superior a quatro milhões de euros. Só cinquenta por cento são suportados por verbas do QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional). O restante será assumido pela autarquia. Torna-se importante recordar que a Câmara e a Assembleia Municipal já aprovaram um empréstimo de três milhões de euros. Valor este que vai cobrir parcialmente os custos imputados à Câmara dos primeiros centros escolares – para além dos referidos há ainda o do Burgo (que custará cerca três milhões de euros), Chave, Rossas e Canelas. O custo elegível para os seis centros é de 7.845.455,03 euros. A projecção que pode ser feita a partir da carta educativa aponta para o dobro dos equipamentos. A juntar a este desafio há um outro. A Câmara comprometeu-se a subsidiar no decorrer deste e dos próximos anos, as instituições de solidariedade social. Refira-se os valores já aprovados, atingem um total de um milhão cento e sessenta mil euros, distribuídos pelo Centro Promoção Social Rainha Stª Mafalda – 219.644,20 euros, Casa do Povo Santa Cruz de Alvarenga – 487.004,00 euros, Centro Social de Canelas – 88.030,60 euros, Centro Social de Chave – 172.632,60 euros, Centro Paroquial São Salvador do Burgo – 92.035,23 euros, AICIA – 102.120,20 euros. Falta ainda conhecer o subsídio que vai ser atribuído à instituição sedeada em Escariz. O valor global impressiona tendo em conta o reduzido orçamento anual da Câmara. Isto quando se sabe que já no passado ano as despesas correntes se aproximaram perigosamente das despesas de capital. Perante este cenário há um conjunto muito vasto de condicionantes para os próximos Executivos. Se juntarmos às duas áreas referidas a urgência de investimentos no saneamento básico fica-se com uma sensação de um ainda maior aperto para quem vai ter a responsabilidade de governar o município.

Publicado no jornal Roda Viva, edição de Agosto

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A guerra aberta entre o Ex-Vice-Presidente da Câmara de Arouca, Campelo de Sousa e o Presidente da Câmara Artur Neves parece não mais terminar. Depois da carta, do passado dia 28, anunciar as razões porque cessava funções e pelo meio justificar a sua opção e de Artur Neves, em declarações ao Diário de Aveiro, dizer que Campelo de Sousa saia porque não ia integrar a lista à Câmara e do ainda Vereador ameaçar com um “vou andar por ai”», somos surpreendidos, no passado Domingo, por uma entrevista do mesmo à Rádio Regional de Arouca e hoje por uma «peça», publicada no mesmo jornal com o sugestivo título «Campelo de Sousa denuncia “deslealdades” de Artur Neves» http://www.recortes.pt/V/DiarioAveiro/principal/2009/08/12/?r=1016,5386,2200
No Diário de Aveiro este advogado arouqueses acusa o Presidente da Câmara de ditador, de ter «premeditado e planeado uma depuração da lista do PS à Câmara» e de deslealdade.
Assim vai a política local. Censurável?…ou pura e simplesmente política?

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