Eleições a ética e a política

1 de Outubro de 2009

em Vários

Feira das Colheitas 006Sobre um intenso quadro eleitoral não deixe de ser interessante reflectir sobre a ética política. Os acidentes e os incidentes da política arouquense reforçam a importância dessa reflexão que partilho com os leitores.
Para mim a acção política, seja feita por um Presidente da Junta de Freguesia ou pelo Presidente da República, é um dos actos mais nobres. Quem a exerce só o pode fazer com responsabilidades compatíveis com grandes qualidades morais e de competência. A actividade política só se justifica se o político tiver espírito republicano, ou seja, se suas acções, além de procurem a conquista do poder, forem dirigidas para o bem público, que não é fácil definir, mas que é preciso sempre procurar.
Já vi de perto políticos – em Arouca sobretudo – a legitimar as suas opções, as suas escolhas, com base no «interesse público» e ou, com base nos «superiores interesses de Arouca». Foi assim com algumas das obras que hoje «mancham» o nosso território!
Acredito que a concepção do bem público varia de acordo com a ideologia ou os valores de cada um, mas o que se espera é que procure tal concepção com prudência e coragem. Com ética e sentido de responsabilidade.
A ética da política, porém, não é a mesma ética da vida pessoal. É claro que existem princípios gerais, mas entre a ética pessoal e a ética política há uma diferença básica: na vida pessoal deve-se esperar que cada indivíduo haja de acordo com o que Max Weber chamou a ética da convicção, ou seja, a ética dos princípios morais aceites em cada sociedade. Já na política prevalece a ética da responsabilidade. Uma ética de responsabilidade leva em consideração as consequências das decisões que o político adopta. Em muitas ocasiões, o político é obrigado a tomar decisões que envolvem meios não muito nobres para alcançar os objectivos públicos.
Nem sempre o clássico princípio de Maquiavel de que os fins justificam os meios poderá servir. Nessa contradição entre os fins públicos e os meios existe um problema de grau. É claro que o político deve ser fiel à sua visão do bem público, mas não pode ser radical tanto em relação aos fins nem aos meios. Não pode acreditar que detém o monopólio da definição desse bem: o político democrático tem a sua visão do interesse comum, mas respeita a dos outros. Por outro lado, ainda que o uso de meios discutíveis possa ser justificado em certas circunstâncias, é evidente que não podem ser quaisquer os meios utilizados. É preciso aqui também ser razoável: alguns meios são absolutamente condenáveis e portanto injustificáveis.
As acções que surgem em ano eleitoral são disso exemplo.
Recordo em Arouca as benesses que vão da simples estrada particular «até à porta», os passeios para a terceira idade (replicados por Câmara e Juntas de Freguesia), a descriminação positiva sobre os autarcas do «eixo do bem» (leia-se socialistas), a retaliação a quem critica, a quem põe em causa, as festas de arromba, os apoios financeiros (ou em géneros), as máquinas e funcionários da Câmara para as Juntas que são «colaborantes»… Tudo serve!
O período pré-eleitoral em Arouca deu-nos a conhecer práticas exemplificativas de tais posturas. A manutenção do poder pelo poder é alucinatória. Se não o fosse não se verificaria a política da «terra queimada», o aliciamento de candidatos, o jogar com «um pau de dois bicos», não se zangariam as comadres, não se descobriam as verdades nem haveria um Vice-presidente da Câmara a demitir-se, a acusar o Presidente de deslealdade e a a ameaçar «andar por ai»!

{ 2 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 joaquim toscano 2 de Outubro de 2009 às 16:22

Ética de consequência e responsabilidade, sem citar mestres, é, como já o afirmei noutro blog aí da praça,…
poder corrê-los, daqui a vinte anos, à pedrada, pelos danos que nos causam AGORA.
Quanto a “andar por aí”…andamos todos;
São coisas da vida, mensagens cifradas de fácil descodificação, de “costa a costa” “tipo” …”Agradeço aos olheiros do slb…, ao que o outro responde…puxão de orelhas aos olheiros do fcp
e tu sabes, sabes, sabes mesmo, mesmo, mesmo,mesmo…
quem vai ser o (a) próximo (a) ministro (a) da educação???
Sabes mesmo,mesmo,mesmo? tu que ÉS PROFESSOR?
ENTÃO CALA-TE

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2 joaquim toscano 4 de Outubro de 2009 às 19:06

Eleições e Po…Ética
Sinceramente, não sabia!
Falando de coisas sérias e respigo”…Já na política prevalece a ética de responsabilidade…”
Estou quase como (o algarvio?) Aleixo:

“Eu não tenho vistas largas
Nem grande sabedoria
Mas dão-me as horas amargas
Lições de filosofia…

Vós que lá do vosso império
Prometeis um mundo novo
Calai-Vos que pode o Povo
Querer um Mundo Novo a sério.

Invocar Max Weber, Maquiavel… só para dizer o que já os gregos, o J C
O Manel Kant, o Stuart Mill naquele encontro com o K Marx ,delicioso,(que nunca aconteceu) pra dizer o quê? Só um parêntesis e com o devido respeito:

“A Discussão Ética Contemporânea”
“A discussão ética contemporânea poderá ser esquematizada a partir de uma oposição de fundo entre éticas de tipo deontológico, que retomam a linha argumentativa da ética de Kant e éticas de tipo teleológico que, de alguma forma, tentam actualizar o modelo epistemológico das éticas gregas cujo objectivo é responder à questão “como viver” através da definição de um bem substancial, do bem por excelência ou do supremo bem; mais recentemente foi introduzido na discussão ética o termo “consequencialismo” para caracterizar as éticas teleológicas na medida em que nestas os actos são analisados em função das consequências. Pode haver éticas consequencialistas que não sejam no sentido estrito do termo teleológicas porque não definem positivamente o bem supremo, mas que avaliam as acções na perspectiva das consequências que estas possam vir a ter, e que, mais ou menos a longo prazo, possam evoluir para um mal supremo que deve ser evitado a todo o custo; caso exemplar de uma ética deste tipo é a ética da responsabilidade na qual as acções que se apoiam particularmente em técnicas que potenciam de tal modo o agir humano que lhe conferem consequências incalculáveis para os próprios agentes são avaliadas na perspectiva da possibilidade de um mal que daí possa advir, p. ex. a auto-destruição da espécie humana ou a destruição das condições de vida na Terra, no seguimento de acções irreflectidas e irresponsáveis no contexto da actual tecnicização.”
Posto isto, e o gajo que escreveu esta prosa é polidor de calçadas, primo do Maurício Caramunha – não desdenhem porque ás vezes a sola do meu sapato está rota, mas…eu que sou formado enferrujado em novelística da banda de lá, por vezes também digo “todo aquele que sente na sola do pé a pedra da calçada é um andarilho à procura da verdade”.
Sem querer ver, mas já vendo, intenções acusatórias eventualmente fulanizadas, apenas me apetece repetir o que já afirmei noutras agendas e pontos de vista:
Se for vivo e tiver saúde, daqui a vinte anos vou correr muitos dos actuais artistas da nossa praça á pedrada (estribado nas éticas teleológicas, de consequência e responsabilidade,,,) pelas burradas do momento.
Abraço caro Prof

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