17 de Maio, 2008
O debate que hoje se faz um pouco por todo o mundo, sobre o aumento do preço dos produtos essenciais, leva-me a reflectir sobre testemunhos de intervenção política feita em Arouca nas duas últimas décadas, sobretudo na Assembleia Municipal, tendo como pano de fundo a agricultura e o seu (não) futuro, e o desenvolvimento do mundo rural.
Quantas vezes ouvi vozes, sobretudo vindo das bancadas de esquerda, que agricultura tinha os dias contados, mesmo quando à distância se percebia a importância do equilíbrio fundamental entre o rural e o urbano. Uma discussão recorrente, filosófica, com laivos mais ou menos saudosistas, tendo como pano de fundo a dialéctica entre explorados e exploradores. Sendo certo que nunca se poderá esquecer que durante muitos e longos anos a situação nos campos era de extrema pobreza, injustiça e miséria, que foi do campo que milhões de portugueses tiveram de emigrar para escapar à fome e à indigência, não se desculpa aqueles que, com responsabilidade política quer a nível local quer nacional, denotaram grande desprezo pela agricultura. Veja-se como o fértil vale de Arouca foi, ao longo dos últimos anos, destruído.
Estamos também neste domínio a pagar a factura!
O preço dos alimentos básicos é hoje motivo de enorme preocupação e o processo mais parece uma espécie de ajuste de contas com o passado. Sobretudo com o passado recente.
Hoje há muitos a recordar que antes de entrarmos na UE produzíamos mais de metade do que comíamos. Duas décadas depois, sabe-se que produzimos menos de um quarto daquilo que comemos; à força de subsídios, desmantelámos a frota pesqueira e deitámos fora toda uma cultura e saber que demorou gerações infinitas a apurar. A Comunidade Europeia, o povo europeu, pagou ao longo dos últimos anos fortunas para que os agricultores abandonassem os campos. Ficaram a monte, como se ousa dizer.
Muitos ficarem expectantes, sentados a ver em que paravam as modas. Não se investiu. Ninguém inovou.
Por arrastamento vimos como foi desmantelada a florestal tradicional, em favor de um mar de eucaliptos, contribuindo ainda mais para a desertificação e os indescritíveis incêndios de Verão.
Como pano de fundo fica a ideia de como foi possível gastar os rios de dinheiros europeus, que nos poderiam e deveriam ter garantido a solvabilidade e independência económica para sempre, a construir estradas, auto-estradas e duas metrópoles que nunca são suficientes para acolher o Portugal que fugiu do interior defunto, onde fecham hospitais, escolas, maternidades, tribunais…e tudo mais que há-de vir à cabeça dos nossos insensatos governantes, cada vez mais sensíveis única e exclusivamente aos argumentos e influências de uma determinada casta de falsos empresários que vegetam perpetuamente à sombra do Estado. Eis um poder obscuro que nos governa, que nunca poderá ser sufragado! Tudo isto feito num Portugal presumivelmente democrático, em acções legitimadas por grandes «fazedores de opinião» que a soldo do mesmo poder, nos vão dizendo da importância dos sacrifícios a bem de um futuro que continuará a sorrir, como sempre …para os mesmos!
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14 de Abril, 2008
A Vicaima vai construir uma nova fábrica…em Arouca. Numa primeira fase, a futura unidade fabril terá cerca de 20.000 metros quadrados, ficando no final o projecto com uma área coberta de 59.000 m2., criando centenas de postos de trabalho, tão importantes nesta fase socio-económica tão crítica e deprimente para a região (o número de desempregados é galopante).
A verdadeira história da instalação desta fábrica encerra em si muitas histórias, algumas das quais de contornos políticos pouco claros. Recordo a campanha difamatória iniciada pela oposição de então aquando da aquisição dos terrenos, da arma de aremesso contra os autarcas sociais democratas de então, dos entraves criados pela anterior Câmara socialista, das mentiras e acusações disparatadas contra a candidatura do PSD, aquando das últimas autarquicas, do esforço do actual Executivo para criar as condições para a sua vinda, do querer do administrador do grupo empresarial… O que vale é a verdade e um futuro que se constrói de forma séria. Porque só assim vale a pena. Voltarei ao assunto!
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26 de Março, 2008

A notícia surgiu quão impetuosa como brutal. A Nádia morreu…
A Nádia que tinha visto crescer, a Nádia vizinha da casa dos meus pais, a Nádia que cantava e encantava, a Nádia da música e da arte, desaparecia num brutal acidente.
Recebia a chamada do amigo comum (André) e via as pavorosas imagens. Infelizmente há momentos assim!
Recordo a Nádia em múltiplos momentos… À memória vêem-me de imediato um episódio ocorrido nos princípios de Agosto de 2005, quando os incêndios destruíam Arouca e registei a disponibilidade da jovem psicóloga para, no meio do drama e da angústia, ajudar a sua gente, a sua comunidade. Ser útil. Ser a Nádia.
Arouca fica mais pobre. Arouca fica culturalmente muito mais pobre.
Da minha parte fica a saudade e o particular reconhecimento por um dia, a Nádia ter dado um contributo válido e plenamente conseguido no jantar da minha campanha para as autárquicas de 2001.
É enorme a mágoa.
À família deixo os mais sentidos pêsames.
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16 de Março, 2008
As relações do PSD Arouca com o PSD de Vale de Cambra sempre foram as melhores. Recordo a presença de dirigentes Arouca nas iniciativas mais emblemáticas da Secção de Vale de Cambra e de dirigentes de Vale de Cambra nas iniciativas de Arouca. Recordo sobretudo um delas; quando em Arouca se homenageou os fundadores do Partido e tivemos o gosto de ter então o Presidente da Câmara de Vale de Cambra (entretanto já falecido).
No passado Sábado tive o particular gosto de fazer parte de uma representação social-democrata de Arouca (PSD e JSD) no almoço convívio da tomada de posse na nova Comissão Política que agora é liderada pelo também Presidente da Câmara José Bastos e que contou com a presença do Presidente do Partido, Luís Filipe Menezes.
Um inicitiva que foi também o ponto de (re)encontro com muitos companheiros…. depois da distância que já lá vai…Desde as últimas eleições….
Foto que regista a presença do antigo presidente da Câmara de Vale de Cambra, no trigésimo aniversário do PSD de Arouca. Uma iniciativa que serviu também para homenagear os seus fundadores no concelho.
Etiquetas: Arouca, jsd, PSD, vale de cambra
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16 de Março, 2008
A imprensa tem feito eco dos últimos dados estatísticos sobre a realidade de cada concelho. Os que dizem respeito a Arouca são inquietantes e deixam-me naturalmente preocupado. Desde o Indicador de Desenvolvimento Municipal, aos índices de Qualidade de Vida e de Poder de Compra.
O Indicador de Desenvolvimento Municipal (IDM) diz-nos que Arouca continua pelos últimos lugares. Quer a nível distrital (15º) quer a nível nacional (228º), em 308 municípios.
No que diz respeito a qualidade de vida o panorama ainda é pior. Segundo o último estudo do Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social da Universidade da Beira Interior (UBI). Este “Índice Concelhio de Qualidade de Vida” analisou os 278 municípios de Portugal continental, com base no anuário estatístico de 2004 do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Entre os concelhos do Entre Douro e Vouga (EDV), o melhor posicionado é S. João da Madeira. Muito distantes deste estão os restantes concelhos da região: Santa Maria da Feira (67º), Vale de Cambra (109º), Oliveira de Azeméis (129º) e, no final, Arouca (196º).
Junte-se a este cenário o baixo índice Poder de Compra. O último estudo do Instituto Nacional de Estatística coloca Arouca como o pior concelho do distrito e um dos piores do país.
Estes factos dão-nos um retrato de uma Arouca que tarda em encontrar um rumo para um desenvolvimento sustentado.
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23 de Janeiro, 2008
A «Defesa de Arouca» suspendeu a sua publicação. Ainda não se sabe por quanto tempo. É pena!
A «Defesa» é um jornal semanal com uma história que, nas últimas décadas, se mistura de forma indelével com a história de Arouca. Um jornal que justamente faz parte da memória colectiva de um povo, de uma terra, e que se constituiu como um forte elo de ligação com os nossos emigrantes que se encontram espalhados pelos quatro cantos do mundo.
Ligam-me vinte e cinco anos à «Defesa». Um tempo extraordinário (sobre diferentes pontos de vista) que terminou o ano passado. Fica a memória e uma palavra de solidariedade para com o seu Director e colaboradores, assim como os votos que a «Defesa» regresse depressa.
Etiquetas: defesa, imprensa
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13 de Janeiro, 2008
Na última reunião, a Câmara de Arouca aprovou, por maioria, o anteprojecto para construir uma nova estrutura, junto ao ex-Mercado Municipal, com o objectivo de vender, aos fins-de-semana, produtos regionais e agrícolas. Esta nova estrutura polivalente, denominada “feirinha do campo”, é uma alternativa ao Mercado, que praticamente não chegou a funcionar e foi destinado a outros fins.
Enquanto Vereador abstive-me, tendo sido acompanhado por Belarmino Soares Francisco também do PSD) e Luís Silva da UPA.
Os fundamentos para a razão do meu voto encontro-os no facto deste ser mais um projecto feito em cima do joelho, que tenta remendar mal, um erro da anterior Executivo socialista. Em causa está sobretudo a localização e o caso desta medida avançar sem uma acção estratégica de apoio aos agricultores e ao mundo rural.
Etiquetas: cma, mercado, ps, PSD, upa
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25 de Dezembro, 2007
Na passada semana o Executivo Municipal aprovou as Grandes Opções do Plano (GOPs) 2008-2011. Houve votos para todos os gostos.
Foram diversas as razões que me levaram a votar a contra. Uma das fundamentais; perante um plano que continua a assumir uma trajectória de desenvolvimento errado e a discriminar as freguesias e as suas juntas, segundo critérios eminentemente partidários só havia esse caminho. Porque, em causa está claramente o reforço da coesão social e territorial do concelho e, acima de tudo, da nossa capacidade dinamizadora no incremento da competitividade económica e empresarial. É triste mas estão completamente esquecidas e menosprezadas as políticas económicas!
Tudo isto foi feito num momento que deveria caracterizar-se pelo desenho e definição de uma estratégia concelhia, face à implementação do QREN.
Votei contra porque não registo nenhuma preocupação da maioria socialista com as políticas sociais e ambientais, enquanto o caminho que irá ser trilhado aponta para o do aumento das despesas correntes, da aposta no acessório e no aparente, em detrimento da aposta séria no essencial, nas obras fundamentais e projectos essenciais para a melhoria da qualidade de vida da população.
Perante este quadro não fazia sentido fazer de muleta as socialistas!
Esta tomada de posição significa, uma atitude de alerta para a criação de condições susceptíveis de, pelo menos, estancar a desertificação económica e humana que se constata nas freguesias mais periféricas do concelho. Este voto contra tem um significado político preciso ao denunciar, por um lado, essa clara discriminação e, por outro, ao discordar das opções por alguns projectos a candidatar ao QREN, hipotecando a última oportunidade de colocar o nosso concelho na linha da frente do desenvolvimento económico sustentado.
Etiquetas: gop, gops, qren
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15 de Novembro, 2007
A Assembleia Municipal reuniu na passada Segunda-feira. Uma sessão extraordinária para autorizar uma expropriação, com o carácter de urgência, de um terreno no parque Millennium, a fim de construir a escola de transito. Um ponto dos dois, da Ordem de Trabalhos, que se revelou polémico, permitindo inclusive algumas, ainda que desgarradas ofensas.
Foi mau. Algo mau, a postura e as posições radicais. Só visto, porque contado é difícil!
O que é certo é que a câmara de Arouca vai para mais um processo litigioso de expropriação. É mais um caso em tribunal. Mais um, entre um já número considerável de indemnizações previstas no valor de milhares de euros. Umas em fase instrutória, outras a aguardar decisão – como por exemplo os terrenos do estádio.
Quem vier atrás que feche a porta. Parece o lema! Um mau lema.
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19 de Outubro, 2007
O André já é deputado da Assembleia da República. Parabéns André. Sinto muito orgulho nisso! Estou feliz por ti.
Subscrevo a generalidade do que muito, e bem, é dito nos comentários à notícia do Arouca.biz, sobre a sua importância sobretudo para Arouca e naturalmente para o André.
Não vale a pena repetir ideias e argumentos
O que vale a pena sublinhar é que esta chegada do André a mais alta-roda da vida política do nosso país é - em termos também de substancia politica - algo de gratificante para uma Comissão Política que eu tive a honra e o gosto de presidir e da qual fazia parte o André, enquanto Vice-Presidente e ainda os militantes Miller, Rodrigues, Joaquim, Amorim, Ivo, Fevereiro, Celso, Custódio, Marques e ainda o João. Este foi então um dos primeiros objectivos. Esta será porventura a ultima de outras satisfações! O que há em nós (estou convicto disso) é esse contentamento colectivo e o desejo das maiores felicidades para este novo cargo.
Bem merece.
Etiquetas: andre
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