O servilismo da imprensa arouquense.

9 de Julho de 2007

em Arouca

Escrevo para os jornais há 29 anos. Entre jornais de Arouca e jornais de âmbito nacional e electrónicos. Nunca me senti condicionado. Total liberdade para escrever, sem qualquer constrangimento de nenhuma natureza, sobre o que bem quis! Tudo isto para dizer que continuo muito crítico do servilismo ao poder socialista, da generalidade da imprensa arouquense. Um servilismo tangível no facto de, por exemplo ao longo deste mandato – depois de muitas polémicas, tropelias ao funcionamento democrático dos órgãos autárquicos (sem respeito pelo «direito de oposição»), obras sem razão e sem sentido, prestação medíocre na acção política… – não tenha sido perguntado, de viva voz, à qualquer elemento da oposição, quer na Câmara quer na Assembleia, o que pensa sobre qualquer uma das matérias em causa.
O assunto não é novo. Nesta perspectiva é recorrente e diz muito sobre a relação difusa «desse mundo» com o mundo da política arouquense.

Será que um dia se mudará de paradigma? Talvez sim. Eu, continuo céptico!

{ 6 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 maria medeiros 15 de Julho de 2007 às 11:54

Respostas para “O servilismo da imprensa Arouquense.”
Ao serviço da Liberdade e da Democracia

De facto que estamos no tempo da ditadura encapotada, sem se preocupar com os direitos, liberdades e garantias, tanto o poder central como o poder local já demonstraram de varias formas e feitios que não estão para brincadeiras no poder absoluto.
A nível nacional os casos são mais que muitos e são do conhecimento de todos (caso charrua, caso do director do centro de saúde viera do Minho, o bloguista que levou com um processo em tribunal, etc. etc….).

Em Arouca têm de facto assistido a uma baixaria politica por parte do poder local a começar pelo presidente da Câmara o Sr. Neves porque não pode assinar Eng. porque não o é, este senhor tem hostilizado os presidentes de junta que não são da mesma cor politica, dificultando os trabalhos e a realização de obras, impedindo-as de terem sucesso para que depois essas mesmas juntas nas próximas eleições possam ser derrotadas, só se vê a realização de obras nas juntas da cor de rosa (PS).
Tem havido perseguição as pessoas que estão em lugares de destaque tais como no Centro de Saúde de Arouca por não serem do PS, tem havido perseguição a pessoas que estão envolvidos no sector da educação. Tudo isto desenvolvido por pessoas que tem nome passando pela concelhia do Partido Socialista de Arouca, presidente do PS Tavares esta bela figura que não sei o que está a fazer na Assembleia Municipal, Prof. Jorge Oliveira que é fraco no que está fazer, sem métodos, sem objectivos, faz as coisas sem ter uma linha orientadora, o Sr. Capelo com toda a sua arrogância e prepotência faz-me lembrar aquela frase conhecidíssima ‘lobo com pele de cordeiro’’.

É lamentável que meios de comunicação cobram todas estas barbaridades, fazem publicidade gratuita da propaganda do poder, sem ouvir as outras partes, sem saber ou sem sequer questionar se as promessas estão a ser cumpridas, quais ou qual é a posição das pessoas que pensam de forma diferente, com uma visão estratégica diferente, Porque será? Será do ………?

Não é certamente, é sim de empregos arranjados para familiares e amigos na Câmara Municipal, é sim de viagens ao Brasil, Viagens a França, e assim têm que fazer o que poder quer, como quer, quando quer.

É assim que vai a Republica das Bananas em Arouca.

Responder

2 Pedro Sousa 27 de Julho de 2007 às 18:46

Caro Prof. Óscar, permita-me a frontalidade de dizer que depois de ler o título, o post foi uma decepção.
Para quem escreveu durante tanto tempo e com tanta visibilidade na imprensa arouquense, era de esperar que tivesse conseguido evitar esse servilismo. A não ser que queira fazer passar a mensagem de que onde escrevis não eram servis, agora “os outros” é que são… Não seria demasiada imodéstia?
Confesso que no jornal onde tenho o prazer de escrever nunca fui condicionado. Aliás, nunca ninguém o foi, portanto aferir um servilismo da generalidade dos jornais (só existem 3) parece-me excessivo.
Além disso, usar como exemplo desse sugerido servilismo o facto de não haver referência a «[...]prestação medíocre na acção política…[...]» é mau exemplo. A avaliação da prestação política é subjectiva e portanto, corre o risco de se aferir do post que quem concorda com a sua avaliação da acção política é um jornal neutro, quem não concorda é servil ao poder. Não lhe parece um argumento dificil de suportar?
Além disso, se contabilizar-mos as entrevistas nos 3 jornais referidos no último ano, eu diria (de forma empirica) que os partidos da oposição tiveram bem mais visibilidade.
Mais uma questão, ao dizer que nada é perguntado à oposição. Bem, a oposição então tem de ser pro-activa e fazer eco das suas preocupações. Não é isso que os partidos fazem, por exemplo, com conferências de imprensa?
Finalmente, o que valida a qualidade de um jornal é o seu número de leitores e, portanto, se ele tem mais assinantes (dos que pagam) e leitores, é sinal que vai no bom caminho. Já viu o curioso caminho do jornal Público que com a sua cruzada contra o Governo (e por muitas outras razões, obviamente) perdeu quase 4500 leitores no primeiro trimestre do ano?

Responder

3 Óscar Pinho Brandão 28 de Julho de 2007 às 12:23

Caro Pedro. Se leres com atenção digo que sempre escrevi no jornais de Arouca com total liberdade. Não é isso que está em causa. Escrevi do que quis e como quis. O que está em causa é uma outra questão e esse é substantiva.
Reconheço que o poder é atractivo. Para todos e qualquer um. Não o reconhecer seria ingenuidade. Tal como não reconhecer o que move cada um; critérios, principios, valores…
Agora o que não faz sentido é o que nos últimos tempos está a acontecer. Uma consulta que nem precisa de ser atenta aos órgãos de comunicação social de Arouca mostram uma realidade assente numa única prespectiva. A do poder. Questionável. Naturalmente. Porque é que não havia de ser!
Não é estranho que os órgaõs de comunicação social (que não são só três) se esqueçam do que se passa nas reuniões de Câmara e nas sessões da Assembleia?. Não é estranho que não faça de eco das posições da oposição. É estranho não é?
Claro que eu também defendo uma oposição pró-activa. Mas uma coisa é um artigo feito pela redação e outro por qualquer elemento da oposição. Ou não é?
Quanto às Conferências de Imprensa lamento que por Arouca não se façam. Ou se façam muito poucas. Nisso tens razão.
Quanto a interpretação que fazes sobre a qualidade dos jornais ela é necessariamente subjectiva. O jornal o Independente já foi o «maior» e acabou. Nem sempre a quantidade é simónimo de qualidade. Antes pelo contrário!

Responder

4 Sá Carneiro 17 de Setembro de 2007 às 16:54

Meu amigo,

Todos já percebemos,de uma forma dolorosa, como a comunicação social, de uma forma geral, está como nunca, condicionada pelo poder político/económico … o que os Arouquenses não percebem, é o que a oposição tem andado a fazer !!!!

É lamentável não se ter visto qualquer sugestão válida, vinda da oposição, para o Concelho, ou então, a denúncia pública das tropelias cometidas pelo nosso executivo !!!

Posso ajudar a marcar a agenda do oposição …

Responder

5 José António Lourenço 10 de Janeiro de 2008 às 6:53

Bom dia,

Os meus sinceros cumprimentos. Permita-me que discorde do que diz acerca dos meios de comunicação social de Arouca. Por uma questão prévia, dou conta que trabalhei em Arouca cerca de 2 anos e meio, terra e pessoas simpáticas que me deixaram saudades. Com a minha ida para outro local de trabalho, nunca deixei de acompanhar essa Vila, quer através do telefone como através de uma simples assinatura dos jornais com mais notoriedade (Roda Viva e Defesa). Confesso que ouço muito pouco a Rádio Regional de Arouca. Outra questão prévia é a de que moro numa cidade com dois / três jornais locais que me servem de amostra…
Mais uma vez reitero a minha discordia quando se refere ao servilismo da imprensa arouquense.
Sinceramente fico extremamente triste com a cada vez mais falta de qualidade do Jornal Defesa de Arouca. Nos ultimos numeros efectuei um exercicio percentual, sobre o que cada tema pesava na composição global do jornal. Em primeiro lugar, estão os textos, comentários de algumas pessoas sobre politica nacional… quando o tema deveria ser Arouca. Depois são algumas noticias sobre o que a Câmara fez de bem ou de mal, que deixa muito a desejar, o desporto também ocupa bom espaço, depois são os comunicados do PSD, JSD, Comissão Politica PSD, da UPA, dos seus como vereador da opisição…. enfim, 75% do jornal é só politica, mas deixe-me ser sincero… muito tendencioso, quer em desfavor do governo PS???!!! como da governação Socialista da CM.
Quanto ao Jornal Roda Viva, uma palavra: excelente! Este sim, está ao nivel dos principais jornais locais do distrito de Aveiro. A qualidade dos artigos, a isenção e qualidade dos redactores, o papel, mas acima de tudo, dá-me o que eu quero… muitas e variadas noticias sobre Arouca!

Acredite que esta minha opinião é sincera, de quem vos observa de fora sem qualque tendência partida local.

Os melhores cumprimentos.

Responder

6 Pedro Teixeira 3 de Fevereiro de 2008 às 11:30

Aos geradores de opinião…
…é um facto que somos únicos como seres e que todos temos a garantia de ter um cérebro só nosso. Também é um facto que todos gerem os seus pensamentos, à partida, por si próprios e segundo “aquilo que move cada um: critérios, princípios, valores…”. Por isso, felizmente avaliamos o que lemos segundo perspectivas diferentes e que depois se encontram nas ideologias e naquilo que é comum a um determinado grupo de pessoas.
O Dr. Óscar Pinho Brandão, exerceu o seu direito à opinião e partilhou connosco a sua perspectiva. É salutar que todos tenhamos opiniões diferentes.
Contudo, é lastimável e penoso para a liberdade de pensamento dos Arouquenses que quer a notícia, ou a falta dela, contribua tão decisivamente para a formulação de opiniões. Por exemplo, já foi referido acima que “é lamentável não se ter visto qualquer sugestão válida, vinda da oposição, para o Concelho, ou então, a denúncia pública das tropelias cometidas pelo nosso executivo!”. Bom lamentável é o facto de os meios de comunicação social contribuírem de forma tão decisiva para a criação destas ideias erradas. Nas reuniões da Assembleia Municipal, por exemplo, tirando as comemorações do 25 de Abril e a discussão das GOP em cada ano, não aparece qualquer meio de comunicação social de Arouca! Nenhum! Isto é que é lamentável. A Assembleia Municipal é sem dúvida o local mais aberto e amplo onde se discutem todos os temas e onde todos os partidos definem claramente as suas opiniões. Bastava que em cada sessão, os emissores difundissem, em forma de notícia, aquilo que é referido em cada sessão! Muito simples!
Penso ser obrigação de qualquer meio de comunicação social local, cultivar o respeito pela cidadania, pelo espírito de diálogo aberto e transparente à volta dos temas que têm influência no desenvolvimento do concelho e no quotidiano das pessoas. Algum Arouquense sabe do que se passa numa qualquer Assembleia Municipal por intermédio de um jornal local ou da rádio?
Não estou a criticar ninguém em concreto, constato apenas a realidade.

Responder

Anterior:

Seguinte: