O princípio do fim do mundo rural?

18 de Março de 2007

em Arouca

As zonas rurais caminham para um estado de tal forma crítico que a sobrevivência pode estar mesmo em causa. Populações geralmente dispersas, afastadas dos grandes centros de decisão, enfraquecidas por perdas demográficas e pelos seus elementos mais activos e empreendedores, praticando uma agricultura tradicional cada vez mais desfasada das exigências dos dias de hoje (que vem deixando de ser a principal base de subsistência das populações locais), fracos investimentos, ausência de espírito crítico e empreendedor, baixo nível de instrução, resistência à mudança, enfim, são alguns dos factores locais que contribuem para a situação de crise que se vive nestas áreas.
O estado para que parece caminhar o mundo rural, confrontado a cada instante com profundos desequilíbrios, constitui para todos motivo de apreensão.
È assim o «desenvolvimento». Complexo e desumano em alguns aspectos.
Portugal é hoje um exemplo paradigmático, pois enquanto as áreas metropolitanas e dos grandes centros aumenta, enquanto crescem as torres de betão sobre os espaços verdes, enquanto se apinham em bichas infindáveis dos transportes urbanos, o campo, cada vez mais, vai ficando ao abandono.
A imagem territorial de Portugal é cada vez mais, a de um crescimento litoral e urbano que acentua o deserto da interioridade, que esvazia o campo dos meios necessários para um desenvolvimento auto-sustentado.
Desde alguns anos que as oliveiras e as vinhas vêm sendo substituídas por eucaliptos; as populações rurais continuam a deslocar-se para os grandes centros, ficando os mais idosos nas crescentes “aldeias-fantasma” do país.
São as “deseconomias do progresso”.
Terras e gentes vitimas das instituições dominantes. Instituições que reforçam as centralidades para o investimento, esquecendo que, ao investir e apoiar directamente o desenvolvimento das zonas rurais, se está indirectamente a auxiliar os grandes centros, em termos de impedir maior pressão demográfica e degradação da qualidade de vida. A tudo isto não é alheio um “paternalismo” e uma concepção de desenvolvimento excessivamente voltada para o aumento de riqueza e crescimento económico, adoptando modelos externos, e marginalizando, sobretudo, o espaço rural.
É também esse «mundo rural» que o Governo Socialista de Sócrates quer ainda sacrificar mais. E por isso não se entende o encerramento de escolas, de estações de CTT, centros de saúde e serviços de urgência. Um crime político contra os interesses de desenvolvimento equilibrado do território nacional.
O primeiro-ministro sabe que Portugal é o país da Europa com maiores problemas de desertificação, com uma desequilibradíssima ocupação desse mesmo território.
Assim, vários processos continuam o seu curso negativo.
O sinal de Sócrates aos jovens é de que as suas terras não têm futuro. E dai, de novo, a emigração. A Espanha e a Inglaterra são a «França» dos anos sessenta!

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