«A grande viagem geológica» é o titulo de uma reportagem publicada este mês pela NATIONAL GEOGRAPHIC.
Muito fruto do seu trabalho, Manuel Valério tem destaque numa das mais prestigiadas revistas do mundo, publicando inclusive uma foto sua. Em determinada altura pode-se ler «É um empresário invulgar para o nossos país, que chamou vezes sem conta os investigadores, que promoveu exposições de fósseis encontrados».
Desde há muito que admiro a coragem, a audácia e a tenacidade do Manuel Valério. Ele bem merece a referência da NATIONAL GEOGRAPHIC, como mereceu, no passado dia 17 de Junho, no Salão Nobre da Câmara Municipal, os fortes aplausos que a meia centena de cientistas, vindos de todos vindos os quatro cantos do mundo, lhe dirigiram.
A Câmara Municipal recebeu «GEOCONSERVAÇÃO 2008». Galardão atribuído pela ProGEO (Associação Europeia para a Conservação do Património Geológico), por reconhecer o «carácter inovador, relevância científico-pedagógica e relevância para o público em geral do projecto candidato de identificação, conservação e valorização do património geológico da região». Independentemente do mérito do prémio, vai ficando a ideia que a Câmara pouco tem feito, em termos de construção de infra-estruturas, de obra física, para que o Geoparque seja uma realidade consistente e um verdadeiro centro de interesse no campo do desenvolvimento turístico. Um Geoparque na verdadeira assunção do conceito.
Por agora fica sensação – como já denunciei em reunião do Executivo Municipal – que há claramente um aproveitamento feito em pelo extraordinário trabalho em Canelas, pelo empresário por Manuel Valério. Esse sim de grande relevância, feito com tenacidade e audácia. Sem prémios públicos!…
Um outro projecto que, por agora foi por água abaixo, é o da hospedaria prevista para a ala Sul do Mosteiro. Aberto o concurso público e dado o grau de exigência e amplitude dos requisitos, tal como previ, ninguém se mostrou interessado. Por agora todo um trabalho (e dinheiro) em vão.
Recorde-se que o anúncio de mais um empreendimento estruturante foi feito com toda a pompa e circunstância com cerimónia a preceito, assinatura do protocolo envolvendo a Câmara de Arouca e o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), com a presença honrosa da então Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, que na altura realçou a importância das «alianças estratégicas para potenciar investimentos em defesa do património histórico». O protocolo então assinado visa requalificar e valorizar o Mosteiro e potenciar o turismo cultural na região.
Um ano e meio depois é o que se vê!
O debate que hoje se faz um pouco por todo o mundo, sobre o aumento do preço dos produtos essenciais, leva-me a reflectir sobre testemunhos de intervenção política feita em Arouca nas duas últimas décadas, sobretudo na Assembleia Municipal, tendo como pano de fundo a agricultura e o seu (não) futuro, e o desenvolvimento do mundo rural.
Quantas vezes ouvi vozes, sobretudo vindo das bancadas de esquerda, que agricultura tinha os dias contados, mesmo quando à distância se percebia a importância do equilíbrio fundamental entre o rural e o urbano. Uma discussão recorrente, filosófica, com laivos mais ou menos saudosistas, tendo como pano de fundo a dialéctica entre explorados e exploradores. Sendo certo que nunca se poderá esquecer que durante muitos e longos anos a situação nos campos era de extrema pobreza, injustiça e miséria, que foi do campo que milhões de portugueses tiveram de emigrar para escapar à fome e à indigência, não se desculpa aqueles que, com responsabilidade política quer a nível local quer nacional, denotaram grande desprezo pela agricultura. Veja-se como o fértil vale de Arouca foi, ao longo dos últimos anos, destruído.
Estamos também neste domínio a pagar a factura!
O preço dos alimentos básicos é hoje motivo de enorme preocupação e o processo mais parece uma espécie de ajuste de contas com o passado. Sobretudo com o passado recente.
Hoje há muitos a recordar que antes de entrarmos na UE produzíamos mais de metade do que comíamos. Duas décadas depois, sabe-se que produzimos menos de um quarto daquilo que comemos; à força de subsídios, desmantelámos a frota pesqueira e deitámos fora toda uma cultura e saber que demorou gerações infinitas a apurar. A Comunidade Europeia, o povo europeu, pagou ao longo dos últimos anos fortunas para que os agricultores abandonassem os campos. Ficaram a monte, como se ousa dizer.
Muitos ficarem expectantes, sentados a ver em que paravam as modas. Não se investiu. Ninguém inovou.
Por arrastamento vimos como foi desmantelada a florestal tradicional, em favor de um mar de eucaliptos, contribuindo ainda mais para a desertificação e os indescritíveis incêndios de Verão.
Como pano de fundo fica a ideia de como foi possível gastar os rios de dinheiros europeus, que nos poderiam e deveriam ter garantido a solvabilidade e independência económica para sempre, a construir estradas, auto-estradas e duas metrópoles que nunca são suficientes para acolher o Portugal que fugiu do interior defunto, onde fecham hospitais, escolas, maternidades, tribunais…e tudo mais que há-de vir à cabeça dos nossos insensatos governantes, cada vez mais sensíveis única e exclusivamente aos argumentos e influências de uma determinada casta de falsos empresários que vegetam perpetuamente à sombra do Estado. Eis um poder obscuro que nos governa, que nunca poderá ser sufragado! Tudo isto feito num Portugal presumivelmente democrático, em acções legitimadas por grandes «fazedores de opinião» que a soldo do mesmo poder, nos vão dizendo da importância dos sacrifícios a bem de um futuro que continuará a sorrir, como sempre …para os mesmos!
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