Um pouco por todo o país as autarquias, que se prezam, homenageiam aqueles que contribuíram para que a sua missão de serviço público se cumpra. A imprensa disso faz eco. Na semana passada o jornal «Diário de Aveiro» lá tinha uma reportagem de mais um evento dessa natureza. Desta feita em Estarreja.
Por Arouca, pouco ou nada se faz. À memória ocorre-me somente a justa homenagem que Rossas fez ao homem e ao autarca Sr. Adriano de Azevedo.
Os funcionários e mesmo os autarcas vão para a reforma sem esse gesto simples mas simbólico. Sem o agradecimento público.
A terra e as gentes de Arouca não podem ficar indiferentes. É preciso cumprir, para uma geração, esse propósito fundado. E tal deve ser feito num espaço de tempo o mais curto possível. Enquanto é tempo.
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Há um ano era anunciada a atribuição à Praia fluvial do Areinho, da Bandeira Azul. Sobretudo pela Câmara de Arouca isso foi feito com pompa e circunstância.
A 1 de Julho de 2006 foi formalmente hasteada a bandeira azul na praia fluvial do Areínho, na freguesia de Canelas. Numa cerimónia que contou com a presença do elenco camarário, deputados municipais, presidentes de junta de freguesia, e ainda Graça Fonseca, responsável pelo projecto Bandeira Azul na CCDRN, o presidente da Câmara Municipal Artur Neves destacou a qualidade do projecto e a celeridade [um mês] com que as obras de requalificação daquele espaço foram concluídas. O autarca lembrou aos presentes que aquele investimento se inseria «numa política de promoção turística do concelho, para além de se dar visibilidade à qualidade das nossas águas e à biodiversidade da paisagem ambiental do município».
Pouco tempo depois de ser galardoada com a bandeira azul, a praia fluvial do Areinho viu a qualidade da sua água classificada como má pela Querqus.
Logo depois a própria Câmara Municipal de Arouca que avançava a notícia: a Bandeira Azul da Praia Fluvial do Areínho acaba de ser arreada. Na base dessa decisão estavam as últimas análises feitas à qualidade da água, efectuadas a pedido da Comissão de Coordenação da Região do Norte (CCDR-N).
Com base nesses resultados, a autarquia contestou a decisão da CCDR-N. Para nada! Chegou também a ser anunciado uma investigação por parte do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), da GNR, no sentido de apurar as causas que estavam na base destes resultados e o Presidente da Câmara que esperava «avaliar as causas a montante, nomeadamente procurando saber, junto de municípios vizinhos, em que estado está a qualidade da água do rio nessas zonas».
Tudo se esvaiu.
Foi um verdadeiro balde de água fria.
Tanta expectativa, tanto dinheiro gasto (na requalificação da praia) para nada.
Todo um misto de irresponsabilidade e frustração, porque apesar das vicissitudes esperava-se que este ano a bandeira fosse recuperada. Mas não! Lamentavelmente!
Na passada terça-feira houve reunião de Câmara. Mais uma. Longa quanto baste a fazer recordar outras, de tempos idos, mas interessante. Do ponto de vista político e da gestão da coisa pública.
Assim sendo, torna-se importante dizer que se desenha uma solução global para o saneamento básico. Não só para Arouca como para a generalidade dos municípios portugueses, preenchendo-se assim uma grave lacuna no processo de desenvolvimento do país. Na apresentação deste projecto intermunicipal estiveram presentes responsáveis da empresa Águas Douro e Paiva e Águas de Portugal. Até daqui a um ano ficará decidido se o município adere ou não a este sistema. Que terá grandes vantagens e alguns inconvenientes (o custo será significativo).
Também se ficou a conhecer, através de uma bem conseguida apresentação virtual, o novo projecto do Auditório Municipal e a zona envolvente. Opção polémica visto estar em causa um edifício de enorme envergadura para o espaço (hoje transformado em parque de estacionamento) entre o supermercado Cavadinha e o ainda «Mercado Municipal».
Turismo e mais turismo. Receita para quase tudo. Resposta que tem andado na ponta da língua, dos responsáveis políticos (leia-se, socialistas) para os grandes problemas de Arouca.
Conceptualiza-se e reconceptualiza-se. Turismo «p’rá qui», turismo «p’rá acolá». Desde a praia fluvial ao cimo do monte.
Baralha-se e volta a baralhar-se.
Depois das caminhadas, do rio Paiva e dos desportos radicais, das parideiras, de falácias e mais falácias, eis que nos é anunciado, para uma serra ardida e abandonada, mais um «passo importante» a caminho de lado nenhum; o encontro de montanhismo na Serra da Freita. Sim, essa emblemática serra destruída pelo fogo, pelas ventoinhas, pelo «patos bravos». Sim, essa da «rede natura», agora desnaturada! Sim, essa ex-líbris de Arouca!
Interroguemo-nos de que vale esse tão propalado potencial. Todo o potencial da terra, do património natural, do património construído se não é tornado em mais valia. Que não cria riqueza, sobretudo para os arouquenses…
Foto: Guilherme Carvalho
Depois da saga construtivista - do ponto de vista da acção política da oposição (então de esquerda) - à volta da rotunda dos calhaus e quando já lá vão cerca de quinze anos, eis que eles regressam em força. E para ficar, presume-se!
De facto, quem passar na nova Circular Urbana, num dos acessos à Zona Industrial de São Domingos e Mata, lá esta uma nova rotunda recheada de emblemáticos calhaus. De todos os tamanhos. Para todos os gostos.
E que dirão agora os críticos de então? Ficam agora deslumbrados?
Mudam-se tempos, mudam-se as vontades!
Quem tem estado atento às coisas da vida política nas terras de Santa Mafalda, terá que necessariamente se interrogar do porque da generalidade dos órgãos de comunicação social de Arouca nada ou muito pouco «ligarem» ao que se passa nas reuniões da Câmara e nas sessões da Assembleia Municipal!
De facto, o que existe e não existe nestes dois importantes órgãos autárquicas, passa ao lado. Salvo raras excepções nem uma pequena notícia, comentário, entrevista, análise…. Na vida política da terra o que tem interessado é especular e na altura das autárquicas dar espaço à política efémera e as uns fretes (q.b.).
Porque será?
Arouca conheceu nos últimos dias uma actividade intensa, não só do ponto de vista desportivo como cultural. E o que se encontra como pano de fundo? O associativismo! Pela organização, capacidade e dinâmica!
Se a associação «Futebol Clube de Arouca» nos deu a subida ao nacional, o Grupo Coral de Urro trouxe até Arouca centenas de cicloturistas, a Associação dos Amigos da Cultura e do Desporto de Ponte Telhe organizou a 5º Circuito Sr.ª da Mó (integrado no Campeonato Nacional de Corrida em Montanha), o Sport Rossas e Malta arrancou com 1º Torneio de Futebol de 7 e a «Anima Património» organizou uma iniciativa já emblemática: «Cister, Sabores e Saberes». Estes, entre outros exemplos.
Acreditar no movimento associativo - que faz melhor e bem mais barato (basta ter em conta o trabalho voluntário dos seus dirigentes e associados) - e apoia-lo é mais que um dever uma obrigação dos poderes políticos. Desde o Governo às autarquias. Sem reservas!
Ontem, dia 28 de Abril de 2007, na Assembleia Municipal de Arouca, ficou a saber-se, pela voz do Presidente da Câmara, que o Governo da Nação não tem dinheiro para concluir a via estruturante nem sequer para avançar com o projecto.
Largos meses depois de concluida a primeira fase este é o pior dos sinais. Triste sina a…nossa!
O clube de Arouca, o clube dos arouquenses, venceu. O «nosso» Arouca subiu de divisão. Parabéns a todos aqueles que, mobilizando recursos e vontades tornaram possível este desígnio.
Uma felicitação especial à sua Direcção na pessoa do Sr. Carlos Pinho.
Bem hajam por tornarem um sonho…realidade.
Nem a Primavera - que chegou triste e fria - traz aos portugueses razões para sorrir. É difícil perante o quadro sombrio que nos é dado pela incapacidade das gentes lusas de vencer as dificuldades e ultrapassar a crise.
As notícias são más. Muito más, apesar do défice ter diminuído e o Governo de Sócrates ter feito uma festa…e «Arouca», que não o concelho (mas sim o Luís da Universidade Independente), andar nas bocas do Mundo.
E por Arouca?
- As coisas vão piorando. O quadro é depressivo. Não só do ponto de vista económico como social e até político.
Ao longo dos últimos anos o número de arouquenses desempregados e com o Rendimento Social de Inserção não para de aumentar. Tal como são muitos aqueles que batem à porta da autarquia pedindo «pequenas» ajudas para tudo e mais alguma coisa (medicamentos, pequenos arranjos nas habitações, passe dos filhos, etc.). Arouca tarda em recuperar do fecho da Clarks. E já lá vão meia dúzia de anos. É caso para perguntar para onde vamos em termos de coesão social!
Os arouquenses (tal como os portugueses) voltam a emigrar. O pior sintoma de todos!
A Câmara socialista que deveria ser um dos principais agentes dinamizadores para a criação de condições para o progresso e desenvolvimento entretém-se a fazer, à semelhança do governo da nação, propaganda - através de todos os meios ao seu alcance. Onde se esperava determinação, coragem para inovar, capacidade empreendedora vê-se calculismo e o «continuar uma caminhada» que não leva a lado nenhum.
E por falar na Câmara… Ainda duas breves notas.
Tal como já foi denunciado pela oposição social-democrata, não só no anterior Executivo como no actual, alguém continua a alimentar um esquema ilegal de prestação de serviços às Juntas de Freguesia. Apesar de múltiplos aspectos que devem ser apreciados à luz da lei, há um, entre muitos, que sobressai do ponto de vista político: o poder discricionário para ceder o equipamento e máquinas às Juntas de Freguesia, conforme os credos e a cor política. Quase sempre são as mesmas as beneficiadas. Queixam-se muitos dos autarcas de freguesia.
E quando…entre almoços e jantares.
O assunto não é novo. É recorrente…e dai a fama e provavelmente o proveito…de alguns, naturalmente. Arouca recebe bem! Muito bem, só que, com o dinheiro do povo é um bocado aborrecido e naturalmente reprovável. De facto, não se percebe a incontrolável e desmedida generosidade da Câmara - na pessoa do seu Presidente é claro - em oferecer almoços e jantares a torto e a direito e à revelia do Executivo Municipal.
O tema teve já «honra» de tratamento em sede de reunião do Executivo Municipal. A propósito da concentração dos Porches…

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