Archive for Maio, 2007

Praia do Areinho e o fiasco da Bandeira Azul

Há um ano era anunciada a atribuição à Praia fluvial do Areinho, da Bandeira Azul. Sobretudo pela Câmara de Arouca isso foi feito com pompa e circunstância.
A 1 de Julho de 2006 foi formalmente hasteada a bandeira azul na praia fluvial do Areínho, na freguesia de Canelas. Numa cerimónia que contou com a presença do elenco camarário, deputados municipais, presidentes de junta de freguesia, e ainda Graça Fonseca, responsável pelo projecto Bandeira Azul na CCDRN, o presidente da Câmara Municipal Artur Neves destacou a qualidade do projecto e a celeridade [um mês] com que as obras de requalificação daquele espaço foram concluídas. O autarca lembrou aos presentes que aquele investimento se inseria «numa política de promoção turística do concelho, para além de se dar visibilidade à qualidade das nossas águas e à biodiversidade da paisagem ambiental do município».
Pouco tempo depois de ser galardoada com a bandeira azul, a praia fluvial do Areinho viu a qualidade da sua água classificada como má pela Querqus.
Logo depois a própria Câmara Municipal de Arouca que avançava a notícia: a Bandeira Azul da Praia Fluvial do Areínho acaba de ser arreada. Na base dessa decisão estavam as últimas análises feitas à qualidade da água, efectuadas a pedido da Comissão de Coordenação da Região do Norte (CCDR-N).
Com base nesses resultados, a autarquia contestou a decisão da CCDR-N. Para nada! Chegou também a ser anunciado uma investigação por parte do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), da GNR, no sentido de apurar as causas que estavam na base destes resultados e o Presidente da Câmara que esperava «avaliar as causas a montante, nomeadamente procurando saber, junto de municípios vizinhos, em que estado está a qualidade da água do rio nessas zonas».
Tudo se esvaiu.
Foi um verdadeiro balde de água fria.
Tanta expectativa, tanto dinheiro gasto (na requalificação da praia) para nada.
Todo um misto de irresponsabilidade e frustração, porque apesar das vicissitudes esperava-se que este ano a bandeira fosse recuperada. Mas não! Lamentavelmente!

Saneamento e um auditório.

Na passada terça-feira houve reunião de Câmara. Mais uma. Longa quanto baste a fazer recordar outras, de tempos idos, mas interessante. Do ponto de vista político e da gestão da coisa pública.
Assim sendo, torna-se importante dizer que se desenha uma solução global para o saneamento básico. Não só para Arouca como para a generalidade dos municípios portugueses, preenchendo-se assim uma grave lacuna no processo de desenvolvimento do país. Na apresentação deste projecto intermunicipal estiveram presentes responsáveis da empresa Águas Douro e Paiva e Águas de Portugal. Até daqui a um ano ficará decidido se o município adere ou não a este sistema. Que terá grandes vantagens e alguns inconvenientes (o custo será significativo).

Também se ficou a conhecer, através de uma bem conseguida apresentação virtual, o novo projecto do Auditório Municipal e a zona envolvente. Opção polémica visto estar em causa um edifício de enorme envergadura para o espaço (hoje transformado em parque de estacionamento) entre o supermercado Cavadinha e o ainda «Mercado Municipal».

Turismo? Por agora…o de garrafão.

Turismo e mais turismo. Receita para quase tudo. Resposta que tem andado na ponta da língua, dos responsáveis políticos (leia-se, socialistas) para os grandes problemas de Arouca.
Conceptualiza-se e reconceptualiza-se. Turismo «p’rá qui», turismo «p’rá acolá». Desde a praia fluvial ao cimo do monte.
Baralha-se e volta a baralhar-se.
Depois das caminhadas, do rio Paiva e dos desportos radicais, das parideiras, de falácias e mais falácias, eis que nos é anunciado, para uma serra ardida e abandonada, mais um «passo importante» a caminho de lado nenhum; o encontro de montanhismo na Serra da Freita. Sim, essa emblemática serra destruída pelo fogo, pelas ventoinhas, pelo «patos bravos». Sim, essa da «rede natura», agora desnaturada! Sim, essa ex-líbris de Arouca!
Interroguemo-nos de que vale esse tão propalado potencial. Todo o potencial da terra, do património natural, do património construído se não é tornado em mais valia. Que não cria riqueza, sobretudo para os arouquenses…

Foto: Guilherme Carvalho

O regresso dos calhaus.

Depois da saga construtivista - do ponto de vista da acção política da oposição (então de esquerda) - à volta da rotunda dos calhaus e quando já lá vão cerca de quinze anos, eis que eles regressam em força. E para ficar, presume-se!
De facto, quem passar na nova Circular Urbana, num dos acessos à Zona Industrial de São Domingos e Mata, lá esta uma nova rotunda recheada de emblemáticos calhaus. De todos os tamanhos. Para todos os gostos.
E que dirão agora os críticos de então? Ficam agora deslumbrados?
Mudam-se tempos, mudam-se as vontades!

Porque será?

Quem tem estado atento às coisas da vida política nas terras de Santa Mafalda, terá que necessariamente se interrogar do porque da generalidade dos órgãos de comunicação social de Arouca nada ou muito pouco «ligarem» ao que se passa nas reuniões da Câmara e nas sessões da Assembleia Municipal!
De facto, o que existe e não existe nestes dois importantes órgãos autárquicas, passa ao lado. Salvo raras excepções nem uma pequena notícia, comentário, entrevista, análise…. Na vida política da terra o que tem interessado é especular e na altura das autárquicas dar espaço à política efémera e as uns fretes (q.b.).
Porque será?