Archive for Março, 2007

O princípio do fim do mundo rural?

As zonas rurais caminham para um estado de tal forma crítico que a sobrevivência pode estar mesmo em causa. Populações geralmente dispersas, afastadas dos grandes centros de decisão, enfraquecidas por perdas demográficas e pelos seus elementos mais activos e empreendedores, praticando uma agricultura tradicional cada vez mais desfasada das exigências dos dias de hoje (que vem deixando de ser a principal base de subsistência das populações locais), fracos investimentos, ausência de espírito crítico e empreendedor, baixo nível de instrução, resistência à mudança, enfim, são alguns dos factores locais que contribuem para a situação de crise que se vive nestas áreas.
O estado para que parece caminhar o mundo rural, confrontado a cada instante com profundos desequilíbrios, constitui para todos motivo de apreensão.
È assim o «desenvolvimento». Complexo e desumano em alguns aspectos.
Portugal é hoje um exemplo paradigmático, pois enquanto as áreas metropolitanas e dos grandes centros aumenta, enquanto crescem as torres de betão sobre os espaços verdes, enquanto se apinham em bichas infindáveis dos transportes urbanos, o campo, cada vez mais, vai ficando ao abandono.
A imagem territorial de Portugal é cada vez mais, a de um crescimento litoral e urbano que acentua o deserto da interioridade, que esvazia o campo dos meios necessários para um desenvolvimento auto-sustentado.
Desde alguns anos que as oliveiras e as vinhas vêm sendo substituídas por eucaliptos; as populações rurais continuam a deslocar-se para os grandes centros, ficando os mais idosos nas crescentes “aldeias-fantasma” do país.
São as “deseconomias do progresso”.
Terras e gentes vitimas das instituições dominantes. Instituições que reforçam as centralidades para o investimento, esquecendo que, ao investir e apoiar directamente o desenvolvimento das zonas rurais, se está indirectamente a auxiliar os grandes centros, em termos de impedir maior pressão demográfica e degradação da qualidade de vida. A tudo isto não é alheio um “paternalismo” e uma concepção de desenvolvimento excessivamente voltada para o aumento de riqueza e crescimento económico, adoptando modelos externos, e marginalizando, sobretudo, o espaço rural.
É também esse «mundo rural» que o Governo Socialista de Sócrates quer ainda sacrificar mais. E por isso não se entende o encerramento de escolas, de estações de CTT, centros de saúde e serviços de urgência. Um crime político contra os interesses de desenvolvimento equilibrado do território nacional.
O primeiro-ministro sabe que Portugal é o país da Europa com maiores problemas de desertificação, com uma desequilibradíssima ocupação desse mesmo território.
Assim, vários processos continuam o seu curso negativo.
O sinal de Sócrates aos jovens é de que as suas terras não têm futuro. E dai, de novo, a emigração. A Espanha e a Inglaterra são a «França» dos anos sessenta!

Claro que não!

Qualquer município com uma actividade cultural regular e com iniciativas de qualidade, ainda que pontuais, anseia ter um Auditório condigno.

Desde há muito Arouca tem esse desejo.

Houve outras prioridades. Legítimas talvez! Mas, o que é facto, é que o nosso concelho não tem, a este nível uma infra-estrutura capaz, de receber um evento ou espectáculo de nível.

Só que….

A pretensão assumida pelo Executivo Socialista é desajustada às necessidades e desconforme com as mais elementares regras sobre as quais assenta uma obra daquela natureza. Os referenciais consultados permitem-nos chegar a essa conclusão.

O local do projecto (em frente ao “ainda” que resta do Mercado Municipal e ao lado do supermercado Cavadinha) é exíguo. Será que se vai cometer o mesmo erro cometido aquando da construção do cinema?

O que querer do QREN?

A grande questão que se coloca de imediato a todos os autarcas arouquenses - e não somente aqueles que têm funções executivas – é o saber o que se quer do novo QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional). Ou de forma mais simples, do próximo quadro comunitário, que vai vigorar de 2007 a 2013.

Refira-se que o III Quadro Comunitário de Apoio entrou em vigor em 2000 e terminou em 2006.
Tal como se pode ler no principal documento, apresentado no passado dia 16 de Janeiro, «Conhecimento, qualificação, competitividade, coesão social – estas são as palavras-chave que vão marcar os programas, as iniciativas e os projectos que os 45 mil milhões de euros do QREN vão financiar.

O QREN e os Programas Operacionais não são um instrumento de um Governo. Eles são ferramentas de toda a sociedade, das Regiões Autónomas e das Autarquias, das empresas e dos parceiros sociais, das comunidades e da sociedade civil organizada.»
O desafio está assim colocado. Sabendo-se que este novo quadro de apoios que agora se vai desenvolver não é a peça única de planeamento do nosso futuro, ele poderá constituir-se como não só a última oportunidade como uma das mais importantes, dados os desígnios assumidos.

Razões para pensarmos que este instrumento assume claramente para Arouca as grandes ambições que se querem ver materializadas: uma terra mais culta e qualificada; um município capaz de se afirmar no desafio da competitividade e do empreendorismo, não desistindo do progresso e da justiça social.

Num concelho onde a «sociedade civil» está pouco estruturada as grandes acções que são esperadas, terão que advir da Câmara Municipal e das Juntas de Freguesia.

O que se espera?
-Muito!

Espera-se que não se faça mais do mesmo, mas que se procure inovar, procurando as respostas adequadas às insuficiências estruturais que o concelho atravessa e que precisa de superar.

Arouca necessita dos instrumentos disponibilizados pelo QREN para construir não só a coesão social como a valorização territorial, atenuando, por exemplo, o fosso entre o vale e a serra. Com projectos à escala adequada. Dispensam-se «elefantes brancos»! Os que existem, são mais do que suficientes. Por isso este derradeiro esforço, deverá ser aproveitado com rigor e minúcia. Tal só será possível com uma análise crítica que prepare as decisões, até porque há um novo patamar de desenvolvimento a conquistar. Se calhar com «menos betão» (ele ainda é preciso) mas com uma aposta clara em vertentes tão diversificadas como a formação e qualificação das pessoas.

Por isso toca a «arregaçar as mangas» e a construir processos participados de escolha. É o que se espera, desde já. É o que faz sentido!

Paisagem de Arouca

4/8/2005

Foi precisamente em 4/8/2005 que Arouca viveu um dos seus dias mais tristes. A nossa terra ardia com os arouquenses impotentes para vencer a fúria do fogo.
Estava na Vila. Da avenida principal registei o princípio do fim do emblemático monte da Srª da Mó.

Depois disso a cinza tomou conta de tudo. De todos.
O verde lá vai surgindo sem que o «homem» faça algo para que a floresta seja ordenada.
Assim não.

Terra de Malta

No início… começo pela minha terra: Rossas. E, naturalmente…a minha gente!

Rossas é uma das 20 freguesias do concelho de Arouca. Circundada por montanhas atravessam-na dois rios e servem-na duas estradas. E uma via! Estruturante? A ver vamos.

No centro da freguesia, coroando um pequeno outeiro, encontra-se a capela de Nossa Senhora do Campo. Hoje (quase) escondida, por cada vez mais casas.
A parte baixa da freguesia desdobra-se em volta dessa capela. E que melhor visão senão aquela que nso dá D. Domingos de Pinho Brandão…descendo primeiro em terra fértil e verdejante, subindo depois em campos socalcados e, finalmente, em montes e montanhas que lhe fecham os horizontes. Numa dessas montanhas ficam os lugares de Provisende e Saril, bastante afastados do centro. A sua topografia parece ter sido moldada escultòricamente em volumes e formas variadas que se combinam e distribuem em harmonia e beleza.
A freguesia designava-se antigamente Congusta (Congusto) ou Santa Maria de Congusta. No século XIII passou a chamar-se Rossas.
Desde cedo pertenceu à Ordem de Malta. Já na primeira metade do século XIII, esta Ordem aí possuia bens.
É rodeada pelas freguesias de Santa Marinha de Tropeço, Várzea, S. Miguel de Urrô.
É esta a terra da minha vida. Do meu imaginário…os amigos, os lugares, a festa, o tempo. O Tempo que já lá vai.

Rossas, terra de fé.

Por do Sol em Rossas, visto a partir do Souto